Por Hugo Hammoud
•
3 de dezembro de 2025
O Dezembro Laranja reforça a importância da atenção contínua à saúde da pele. A campanha alerta para os riscos da exposição solar sem proteção, educa sobre os sinais de alerta e destaca a necessidade do diagnóstico precoce na prevenção e no tratamento do câncer de pele. Entender como as lesões surgem e quando elas se tornam suspeitas é uma ferramenta essencial para reduzir complicações e aumentar as chances de cura. Câncer de pele: principais tipos e fatores de risco O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Ele se divide em duas grandes categorias: melanoma e não melanoma. O melanoma é menos frequente, porém mais agressivo. Ele costuma se desenvolver a partir de pintas pré-existentes ou novas lesões, apresentando maior potencial de metástase. Já os tumores não melanoma, como o carcinoma basocelular e o espinocelular, são mais comuns e geralmente apresentam crescimento lento, embora também precisem de tratamento rápido. Os principais fatores de risco incluem exposição solar excessiva, histórico familiar, pele clara, queimaduras solares repetidas e uso inadequado de proteção solar ao longo da vida. Vale destacar que pessoas de pele negra também precisam se proteger, especialmente em áreas como palmas das mãos e plantas dos pés, onde o melanoma é mais comum nesse grupo. Sinais de alerta: como identificar lesões suspeitas na pele Identificar alterações precoces na pele é uma das formas mais eficazes de prevenir complicações. Alguns sinais devem ser observados com atenção: Pintas que mudam de cor, formato ou tamanho. Assimetria, bordas irregulares ou coloração variável. Manchas que escurecem rapidamente. Feridas que não cicatrizam após quatro semanas. Nódulos endurecidos, lesões que sangram espontaneamente ou coçam de forma persistente. Áreas inflamadas ou com aparência diferente do restante da pele. Uma "espinha" que não melhora ou não desaparece após semanas. A regra do ABCDE também é útil para orientar a observação de pintas: A ssimetria, B orda irregular, C or variável, D iâmetro maior que 6 mm e E volução (mudanças ao longo do tempo). Qualquer mudança progressiva é motivo para avaliação. Quando procurar um especialista: a importância do diagnóstico precoce Alguns sinais exigem consulta médica imediata. Lesões que crescem rapidamente, sangram, apresentam dor, coçam de forma contínua ou não cicatrizam merecem atenção. Pintas novas em adultos também devem ser avaliadas, especialmente quando mudam em pouco tempo. O diagnóstico precoce oferece taxas muito maiores de sucesso terapêutico. Identificar um tumor ainda pequeno permite tratamentos menos invasivos e aumenta consideravelmente a chance de cura. Por isso, é recomendado fazer consultas anuais com dermatologista, principalmente para quem já teve câncer de pele ou possui histórico familiar. Cirurgia no câncer de pele: indicações e procedimentos A cirurgia oncológica é o tratamento mais eficaz e indicado para a grande maioria dos casos de câncer de pele. Quando o diagnóstico é realizado precocemente, os índices de cura são superiores a 90%, especialmente nos tumores não melanoma. O procedimento visa a remoção completa do tumor com margens de segurança adequadas, fundamentais para minimizar o risco de recidiva e garantir o melhor prognóstico. Tipos de procedimentos cirúrgicos A escolha da técnica cirúrgica depende de diversos fatores: tipo histológico do tumor (carcinoma basocelular, espinocelular ou melanoma), localização anatômica, tamanho da lesão, profundidade de invasão e características individuais do paciente. Os principais procedimentos incluem: Excisão cirúrgica simples: É o procedimento mais realizado para tumores de pele bem delimitados. Consiste no uso de bisturi para remover a lesão e uma porção adicional de pele sadia como margem de segurança. O padrão é que esta borda tenha um centímetro em casos de carcinoma e dois centímetros para melanomas. Lesões pequenas e superficiais podem ser tratadas com anestesia local em ambiente ambulatorial, com alta no mesmo dia. Cirurgia micrográfica de Mohs (ou cirurgia com controle tridimensional de margens): Pode ser considerada a técnica mais precisa, efetiva e refinada para tratamento do carcinoma basocelular e espinocelular, pois avalia cem por cento das margens cirúrgicas durante a cirurgia. É especialmente indicada para tumores localizados no rosto, principalmente ao redor dos olhos, nariz, boca e orelhas, onde preservar tecido saudável é fundamental para o resultado estético e funcional. A técnica permite que a cirurgia se inicie com uma pequena margem de um a dois milímetros ao redor do tumor, preservando pele sadia e reduzindo a cicatriz. Durante o procedimento, a pele é removida em camadas muito finas e analisada imediatamente ao microscópio. Caso células tumorais sejam identificadas nas margens, nova camada é retirada precisamente na área afetada, até que o tumor seja completamente removido. A análise de cada camada leva aproximadamente 50 minutos, mas garante remoção completa com preservação máxima de tecido saudável. Excisão ampla com análise de margens por congelação: Para tumores maiores ou em locais de risco elevado de recidiva, pode ser realizada análise anatomopatológica durante o procedimento (exame de congelação). O fragmento retirado é avaliado por um patologista enquanto o paciente ainda está na sala cirúrgica, permitindo ampliação imediata das margens caso necessário. Isso garante que toda a área comprometida seja removida em um único tempo cirúrgico. Biópsia do linfonodo sentinela: O linfonodo sentinela representa o mais importante fator preditivo para pacientes nos estágios iniciais de melanoma. Em casos de melanoma com determinadas características de risco, pode ser indicada a pesquisa do linfonodo sentinela para verificar se houve disseminação microscópica da doença. O procedimento utiliza técnicas de mapeamento com corante azul patente e/ou marcador radioativo para identificar o primeiro linfonodo que drena a região do tumor. Quando positivo, pode ser necessária a dissecção completa dos linfonodos da região. Cirurgias reconstrutivas: Quando a remoção do tumor resulta em defeitos maiores, especialmente em áreas visíveis como o rosto, técnicas de reconstrução são empregadas para restaurar a forma e função. Isso pode incluir fechamento direto, enxertos de pele, retalhos locais ou retalhos mais complexos, sempre visando o melhor resultado estético possível sem comprometer a segurança oncológica. Como é o procedimento cirúrgico A complexidade do procedimento varia conforme cada caso. Lesões pequenas e bem localizadas podem ser operadas com anestesia local em consultório ou centro cirúrgico ambulatorial, com duração de 30 minutos a uma hora. O paciente retorna para casa no mesmo dia, com orientações sobre os cuidados pós-operatórios. Casos mais extensos, tumores em áreas de difícil acesso ou que necessitem reconstrução complexa podem requerer internação hospitalar, anestesia geral ou regional, e permanência de algumas horas a dias no hospital, dependendo da extensão do procedimento. Antes da cirurgia, são solicitados exames pré-operatórios adequados ao porte do procedimento e às condições clínicas do paciente. Medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários podem precisar de ajustes nos dias anteriores à cirurgia, sempre sob orientação médica. Margens de segurança: por que são tão importantes A margem de segurança é a quantidade de pele saudável removida ao redor da lesão visível. Ela é essencial porque o tumor pode ter células cancerígenas além dos limites aparentes a olho nu. A determinação da margem adequada considera o tipo histológico do tumor, sua espessura, localização e características de agressividade. Para carcinomas basocelulares e espinocelulares, margens entre 4 e 10 milímetros geralmente são suficientes, dependendo do caso. Para melanomas, as margens variam conforme a espessura do tumor (índice de Breslow), podendo ser de 5 milímetros a 2 centímetros. Em áreas nobres como o rosto, as margens podem ser menores quando associadas a técnicas de controle microscópico rigoroso. O exame anatomopatológico da peça cirúrgica confirma se as margens estão livres de doença. Quando margens comprometidas são identificadas, pode ser necessária uma segunda cirurgia para ampliação, reforçando a importância de um planejamento cirúrgico adequado desde o início. Tratamentos complementares Em casos selecionados, especialmente melanomas avançados ou carcinomas espinocelulares com características de alto risco, terapias adicionais podem ser associadas: Radioterapia adjuvante para reduzir risco de recidiva local Imunoterapia para melanomas em estágios avançados Terapias-alvo baseadas em mutações específicas do tumor Acompanhamento oncológico regular com exames de imagem para detecção precoce de recidivas Recuperação e cuidados pós-operatórios O processo de cicatrização varia conforme a extensão da cirurgia e características individuais de cada paciente. Os cuidados incluem manter a área limpa e protegida, evitar esforços físicos que possam tracionar a ferida nas primeiras semanas, e proteger a cicatriz da exposição solar por pelo menos seis meses. Retornos periódicos são fundamentais para avaliação da cicatrização e detecção precoce de possíveis recidivas. Pacientes que tiveram câncer de pele apresentam risco aumentado de desenvolver novos tumores, tornando o acompanhamento dermatológico e oncológico regular uma parte essencial do tratamento a longo prazo. A cicatriz final será resultado da combinação entre técnica cirúrgica adequada, características de cicatrização do paciente e cuidados pós-operatórios. Sempre que possível, as incisões são planejadas seguindo linhas naturais da pele para minimizar o impacto estético, mas o objetivo primordial é sempre garantir a cura oncológica completa. Prevenção e autocuidado: hábitos para proteger a pele no dia a dia A prevenção é a estratégia mais eficaz contra o câncer de pele. Alguns hábitos essenciais incluem: Uso diário de protetor solar com FPS 30 ou maior , mesmo em dias nublados. Para rosto e pescoço, a quantidade ideal equivale a meia colher de chá do produto. Reaplicação do filtro a cada duas horas , especialmente em exposição prolongada ou após entrar no mar ou piscina. Aplicar apenas uma vez não oferece proteção ao longo do dia. Roupas, acessórios e chapéus com proteção UV que protegem contra radiação solar. Na praia, prefira barracas de algodão ou lona, que absorvem até 50% da radiação ultravioleta, enquanto o nylon deixa passar 95% dos raios UV. Evitar exposição intensa entre 10h e 16h , período de maior intensidade dos raios solares. Proteção especial para quem trabalha ao ar livre : profissionais que ficam expostos ao sol durante o expediente precisam redobrar os cuidados, usando protetor solar mesmo durante o trabalho e reaplicando regularmente. Hidratação constante da pele , especialmente no verão, ajuda a manter a saúde cutânea. Autoexame regular da pele , observando pintas, manchas e feridas em todo o corpo, incluindo áreas menos visíveis como couro cabeludo, costas e plantas dos pés. Atenção com tatuagens : elas podem esconder lesões e dificultar a identificação de alterações na pele. Pacientes com muitas tatuagens devem fazer avaliações mais frequentes. Proteção dos lábios : muitas pessoas esquecem que os lábios também precisam de protetor solar, especialmente os lábios inferiores, mais expostos ao sol. Os danos causados pelo sol se acumulam ao longo da vida, por isso a proteção deve ser um hábito permanente, não apenas durante o verão ou em momentos de lazer. Educar a população sobre autocuidado e vigilância regular faz parte da proposta do Dezembro Laranja, oferecendo mais segurança e informação para decisões de saúde ao longo da vida. Dr. Hugo Hammoud: Referência em Cirurgia Oncológica em Campinas Com experiência no tratamento do câncer de pele, do aparelho digestivo (estômago, cólon e reto) e sarcomas, o Dr. Hugo Hammoud oferece um atendimento humanizado, utilizando técnicas cirúrgicas avançadas e personalizadas para cada paciente. Não deixe o medo te paralisar. Se você ou um ente querido recebeu um diagnóstico de câncer, agende uma consulta com o Dr. Hugo Hammoud e dê o primeiro passo rumo ao tratamento. WhatsApp: (12) 99711-2332